Vive-se um experimento contrastante entre o encantamento e o
incômodo quanto à fotografia: Quando surgiu a necessidade de materialização da
memória? Em que ponto ela atingiu o estado contemporâneo de obsessão?
Compreende-se que o início dos processos fotográficos
acessíveis fora marcado pela tendência dos retratos; antes mesmo, à altura da
popularização das cartas, as reações imediatas de turistas ao visitarem locais
notórios era verbalizar a cena que haviam presenciado e compartilhá-la com seus
pares.
Assimila-se que os fenômenos atuais, portanto, reproduzem em
natureza a mesma semente do passado. Entre retratos e relatos, todavia, havia
maior solidez – à atualidade, restaram a reprodução e a nobre missão da
preservação.
(Reflete-se no objeto deste trabalho a percepção pessoal de uma fase de intenso engajamento na luta pela preservação física da memória, tão atacada em tempos de uma pós-modernidade severa com todas as "tradições" que não adequam-se às suas novas imposições tecnológicas e comunicacionais. O resgate da história de uma família através de seus registros visuais simboliza efetivamente a força da fotografia como uma possibilidade concreta de resistência; portanto, planejo prosseguir utilizando-a para cercar - por meio de diversos escopos e sob diversas óticas - esta questão em toda sua relevância.)
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